ARTIGOS

EU SOU TU ÉS

“Sinto-me liberto como um pássaro fora da gaiola”.
Proferiu Mário Soares em 1978. Agora diria algo diferente. Estou certa disso.

Hoje celebra-se a Revolução dos Cravos. O 25 de Abril de 1974. O Dia da Liberdade. Liberdade… Esta palavra é como a miragem de um oásis neste momento. Presos, confinados, limitados. Ironicamente é o que sentimos num dia em que se festeja precisamente o oposto.

Mas será mesmo assim?

Permitam que vos fale de Ingrid Betancourt. Ex-senadora e ativista franco-colombiana detida em cativeiro na selva pelas mãos das FARC durante seis anos e meio. Foi acorrentada pelo pescoço à mercê de todo o tipo de violência. E, surpreendentemente, relata um sentimento profundo de gratidão por tudo o que viveu. Graças a esta experiência construiu pontes em direção a si mesma, conhecendo-se melhor, desenvolvendo o seu Eu. Compreendeu que a partir da fraqueza nasce a força e que a felicidade é uma escolha que passa por entender que “independentemente do que me falta, estou feliz com o que tenho”. E conseguiu de facto ser feliz em cativeiro. Porque essa foi a escolha que fez, ser feliz.

Os seus relatos são incríveis e é curioso perceber que o grande combustível da sua sobrevivência foram… memórias! Memórias do que viveu, daqueles que amava.
Ingrid estava fisicamente presa mas a mente sempre foi livre. E assim somos nós, hoje, nas nossas casas. Somos livres. Podemos ser livres. Se o permitirmos.

Porque, por piores que sejam as circunstâncias, nenhuma mente verdadeiramente livre pode ser aprisionada. E essa é a verdadeira liberdade.

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