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Começava 2020 quando a China alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre vários casos de gripe em Wuhan, na China Central. Mais tarde, em Itália, bastaram quatro dias para que se registassem 11 mortes e o número de casos foi aumentando exponencialmente.
Agora as notícias são cada vez mais alarmantes e incessantemente divulgadas pelos meios de comunicação. Cidades em quarentena, voos e transportes suspensos, eventos de relevo cancelados e várias pessoas subitamente colocadas em isolamento. Se por um lado é importante que percebamos o que se está a passar, por outro, esta exposição constante pode ter consequências negativas.

E porquê?
Porque não há nada mais contagioso que o medo. E por maior que seja o impacto financeiro, social e médico deste vírus, não devemos subestimar as consequências psicológicas que geram as epidemias. A dose excessiva de informação, assim como a desinformação, provoca pânico, medo e comportamentos irracionais que causam ainda mais dano.

Vamos a exemplos?
Na Ucrânia, um autocarro com pessoas suspeitas de contaminação foi apedrejado. Na Austrália há uma corrida desenfreada ao papel higiénico. Existem relatos de que cidadãos chineses, ou descendentes de chineses, que estão a ser discriminados por todo o mundo. As vendas de máscaras de proteção e de gel desinfetante atingem valores recorde e começam a faltar alimentos em alguns locais. Estes comportamentos refletem a necessidade de autopreservação, as pessoas precisam de sentir que controlam a situação, imitando também o que faz o vizinho para não ficarem para trás.

Então, como devemos agir?
Primeiramente, devemos ser criteriosos na escolha de informações, em vez de sermos absorvidos por atualizações e notificações vagas ou alarmistas. Procuremos obter os esclarecimentos que precisamos junto de fontes credíveis como a Direção Geral de Saúde e a Organização Mundial de Saúde.
É também essencial analisarmos os nossos sentimentos de desconforto, de temor ou ansiedade relacionados com o coronavírus e procurar entender se fazem ou não sentido. Bastará uns momentos de reflexão para concluir que, grande parte das vezes, estamos a exagerar e a agir motivados pelo medo desenfreado sem qualquer fundamento lógico.
“É melhor prevenir que remediar”, já diz o ditado. Mas quando ficamos alarmados, nada de bom daí advém. Proteger a nossa saúde física e preservar a saúde mental, é o desafio neste momento.

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