ARTIGOS

RELACAO 2

Todos nós somos o resultado dos encontros e interações que estabelecemos ao longo da vida. Desde o nascimento, a conexão que ocorre com a figura materna é substancial para o desenvolvimento de uma vida psíquica.

É no relacionamento mãe-bebé que reside o processo de maturação da criança, desenvolvendo-se entre afetos as suas primeiras experiências intersubjetivas. A relação é, assim, desde cedo, um elemento primordial no desenvolvimento humano.

Amizade, amor, são apenas alguns exemplos de formas de relação, entre as quais encontramos também a forma terapêutica. Embora diferentes, todas estas tipologias têm em comum a necessidade de focar a atenção, os sentimentos e nós próprios enquanto pessoas no outro.

A Psicologia Clínica subdivide-se em diversas orientações teóricas que pautam a sua atuação. A relação terapêutica é o elemento comum a todas. Ou seja, todas as psicoterapias geram benefícios sendo este facto explicado através dos seus elementos transversais, entre os quais se salienta a relação, que está sempre e incondicionalmente presente.

Mas o que é ao certo a relação terapêutica? A relação terapêutica descreve um certo tipo de relação através da qual a outra pessoa encontrará dentro de si a capacidade de utilizar esta relação para crescer, ocorrendo mudança e desenvolvimento pessoal. Para o psicólogo, a relação é significativa na medida em que sente desejo de compreender e empatia com cada um dos sentimentos e comunicações do cliente do modo como estes surgem no momento.

Trata-se de um espaço interior no qual o psicólogo é convidado a entrar na representação do mundo e do problema do cliente tal e qual como este o vivencia. Para que exista esta conexão são necessárias pelo menos duas pessoas, que tenham vontade de interagir para que de um Eu e de um Tu surja um Nós.

 É nesta díade que reside o elemento primordial da relação terapêutica. Para isto, o terapeuta procura despir-se da posição de expert focando-se nos recursos do cliente e na sua própria visão do mundo. Ouvir o cliente sem julgamento confere-lhe a capacidade de expressar determinados aspetos do seu Eu que tenham sido precedentemente sentenciados negativamente por si ou outros.

Numa atmosfera de aceitação incondicional enriquecida pela preocupação genuína do terapeuta pelo cliente, este último irá sentir-se seguro o suficiente para revelar informações suas que considera negativas. Uma vez mencionadas, estas desfigurações percetivas tornam-se disponíveis para serem analisadas, revividas, apreendidas, surgindo, assim, a potencial cura. Deste modo, o foco assenta no mundo percetivo e emocional do cliente como porta de ingresso para os seus pensamentos, sentimentos e ações.

Este processo proporciona uma enorme gratificação para o psicólogo existindo um respeito profundo pela relação estabelecida com o seu cliente sendo esta pautada pelo desejo incessante de compreensão e ajuda.

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